Não trate como prioridade quem te zZZzzZz.

Não trate como prioridade quem te trata como opção. Quem nunca pronunciou essa tão conhecida dor-de-cotovelística sentença que atire a primeira pedra. Eu mesma já concordei com a frase tantas e tantas vezes que não me coloco no direito de julgar quem faz dela seu lema de vida. Porém, uma das minhas características é ser inquieta com meus posicionamentos.

Quem nunca?

Pois bem. Já me senti uma opção, já cobrei, já xinguei, já esperneei. E por me achar tão cansada do meu próprio mimimi, passei a questionar por que eu me sentia daquele jeito. E se o erro estivesse em mim mesma?
Evoluir ou não evoluir? Essa é a questão.

Sim, era eu quem estava errada. Sempre eu, que esperava dos outros algo que nem mesmo eu podia oferecer a mim ou aos meus queridos, que muitas vezes se sentiram uma mera opção, mesmo sendo tão importantes na minha vida.

Sei que expectativa é natural do ser humano, mas não é porque é natural que devemos nos acomodar e dizer: pô, é natural mesmo, eu sou assim e pronto acabou. Se isso trazia infelicidade pra mim, por que cargas d’água eu ia esperar que as outras pessoas me fizessem felizes, se a minha felicidade é responsabilidade inteiramente minha?

Qual o destino de duas pessoas que tentam se amar mutuamente, sem que amem a si mesmas primeiro?

É tudo uma questão de amor-próprio. Muitas pessoas confundem amor-próprio com orgulho. Mas são coisas totalmente distintas. Vou exemplificar com duas situações. Veja a primeira:

- Oi Raul, e aí, a gente vai se ver mesmo hoje?

- Putz Manu, apareceu um imprevisto e não vai rolar da gente se ver hoje, podemos remarcar?

- Ah, tudo bem, a gente marca prum outro dia.

Manu liga pra amiga:

- Su, acredita que o Raul furou comigo de novo? Ele acha que eu sou o quê? Amiga, vamos fazer alguma coisa hoje, nem que seja ir no boteco, beber? Chama aquele seu amigo que é meio afim de mim, de quem o Raul tem ciúme. Amanhã eu menciono vocês dois num post no Facebook, ele vai ver só o que é bom pra tosse. E chega! Não vou mais tratar como prioridade quem me trata como opção.

Ele vai ver só!

Agora repare na segunda:

Manu liga pra amiga:

- Su, o Raul furou comigo, deve estar atolado de coisa pra fazer, ou sei lá, com algum problema, ele tá sempre tão enrolado. Não queria ficar sozinha hoje, me faz companhia? A gente bebe alguma coisa e joga conversa fora. Topa?

A gente bebe alguma coisa e joga conversa fora. Topa?

Percebeu a diferença? Em ambas as situações, Raul entendeu que Manu não ficou puta com o imprevisto. Mas na primeira, o tudo bem da Manu não era empático, resignado. Era um tudo bem ressentido, mesmo que o tom de voz dela tenha sido teatral. Na segunda situação, ela realmente compreendeu. Só não quis ficar sozinha.

Na primeira situação, a Manu reagiu a um sentimento negativo que lhe era próprio. Se sentiu inferior, e, por isso, quis mostrar superioridade. Na segunda, Manu criou para si uma alternativa, sem tentar causar um sentimento de inferioridade no Raul. Encontrou outro meio de se sentir feliz.

O amor tenta sempre unir. O orgulho cria um vão entre duas pessoas.

A questão é: qual das duas Manus você tem sido? Se a sua resposta for “que legal, me identifiquei com a segunda Manu”, parabéns. Você sabe ser feliz sozinh@, se ama o bastante, e por isso, entende a atitude daqueles que também se amam o suficiente a ponto de não se sentirem culpad@s por desmarcarem um compromisso por causa de suas prioridades.

Eu me amo. Eu me amo. Não posso mais viver sem mim. (8)

Agora, se você se identificou com a primeira Manu, do mesmo jeito que eu mesma já me comportei tantas vezes, precisa parar um pouquinho pra repensar o seu amor-próprio. Não é uma questão d@s outr@s te tratarem como uma opção, mas sim de você se sentir como tal. E de achar que são @s outr@s que estão te desvalorizando, quando na verdade você mesma não reconhece o valor que tem.

A culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. DUUUH.

Valor e amor. Era isso o que eu esperava dos outros que eu mesma não podia dar a mim. Quando você passa a se valorizar, você para de pensar que os furos que dão com você acontecem porque você não tem valor praqueles que te “tratam como opção”. E vê que na real, quem acha isso de você, é você mesma. @s outr@s agem assim inconscientemente. Ou você acha que as pessoas fazem uma listinha de pessoas-prioridade e vão seguindo à risca?

É assim que você acha que as pessoas te listam? HMM.

Claro que não, elas estão simplesmente vivendo o que elas acham melhor pra elas, enquanto você espera que elas façam o mesmo por você. E a única pessoa que realmente tem o poder de fazer isso por você, é você mesma. Se você não faz, como pode esperar que outra pessoa faça?

É por isso que não existe, concretamente, essa de prioridade. Coloque na sua cabeça que a única pessoa que merece prioridade na sua vida é você mesma. E dê àqueles com quem se relaciona a liberdade de se colocarem em primeiro lugar também. Pois, na realidade, duas pessoas só podem se relacionar de verdade e COM verdade, sejam elas amig@s, namorad@s, esposas ou maridos, se tiverem ambas amor-próprio. Afinal, quem é carente de amor-próprio é repleto de orgulho. Quem é orgulhoso não se sentirá nunca suficientemente amad@. E, ao invés de se entregar, vai esperar sempre uma troca.

Implorar por amor e atenção. Até quando?

Quando você passa a se amar, não vai  achar que @s outr@s também possuem o direito ao amor-próprio. Mais do que isso, vai desejar que aqueles com quem você se relacionatambém o possuam. Porque você sabe qual o valor do amor-próprio para uma pessoa, e deseja o melhor pra ela, assim como deseja pra você, porque isso é amor. Quem possui amor-próprio é capaz se de ser honest@ consigo mesm@ para dizer sim ou não na hora que bem entender, sem precisar fingir ou mentir. E não fingir é sempre o modo mais verdadeiro de querer o bem para si mesmo. A melhor maneira de amar a si mesmo e de se respeitar.

Por mais autoajuda que pareça, respeite-se. Os outros vão fazer isso por imitação.

E aí você saberá que, se aquela pessoa que tem amor-próprio está com você, é porque é de verdade. Não por você, por pena, dó, ou qualquer coisa menor do que o amor. É por ela mesma. Porque ela acha que ela merece o melhor pra ela. E ela acha que o melhor pra ela é você. Além disso, ela tem certeza que você também acha a mesma coisa dela. Isso se chama sintonia.

Dois inteiros > duas metades.

Quando comecei a pensar por esse lado, de vítima das circunstâncias, passei a autora da minha própria história, dona das minhas próprias tristezas, tentando evitar pensar que as minhas frustrações são culpa d@s outr@s.

Mas o melhor disso é saber que quando estou feliz, essa felicidade é inteiramente minha. Todinha. Me pertence tanto quanto eu me pertenço. E só posso dar às pessoas aquilo que eu tenho em mim. Quanto mais feliz eu for comigo mesma, mas eu poderei fazer aqueles que amo contentes. Contentes e livres.  Sem o peso da responsabilidade de me fazerem feliz.

Comments (0)

  1. Ótimo post! Li em uma hora bem oportuna!
    Estava passando por uma situação bem parecida com a descrita no texto, e lembrei na hora do título! Vim aqui, e pude refletir sobre o assunto…
    Realmente, seu ponto de vista é muito válido, mas as vezes é complicado… No momento acabei me identificando com o 1º caso, mas já comecei a repensar meu amor-próprio! :P

  2. Que post grande! Meus comentários costumam ser grandes também, então vamos lá.

    Falar de amor próprio é tão “ZZzzZzZzZ” quanto dizer “Não trate como prioridade quem te trata como opção.”. Eu já pensei sobre isso algumas vezes, mas já entendi que essa questão torna-se irrelevante a uma certa altura. Algumas coisas acontecem naturalmente, simplesmente acontecem, e culpamos a ausência ou presença de amor próprio como se nós mesmos (ou os outros) não tivéssemos culpa alguma.

    Concordo quando diz que cada um é responsável pela própria felicidade, e já conheci vários exemplos da “primeira Manu”, mas não culparia o amor próprio por isso. Se você é agradável a alguém, esse alguém vai querer sua companhia sempre (que pode). Ao mesmo tempo que se essa pessoa por acaso não queira sua companhia (tendo você muito ou pouco amor próprio), é porque você não está sendo agradável a ela. Simples assim!

    Eu acredito na individualidade das pessoas, e quando alguém é sombra de outra pessoa, ela pára de acrescentar. Deixa de ser interessante. Deixa de ser uma boa companhia. Deixa de ser. Sendo assim, “Dois inteiros > duas metades.”

    As vezes temos que deixar as coisas simplesmente acontecerem…

    Parabéns pelo post!

  3. Oi Raoni… gigante, né? Eu mesma fiquei incomodada com o tamanho, mas o post me aconteceu assim. Das próximas vezes vou tentar ser mais sucinta, HÊ.

    Você tem razão, falar de amor-próprio é tão ZZZZzzZZ quanto repetir a expressão popular que eu critiquei. Talvez questão não seja realmente o amor-próprio.

    É algo muito maior do que isso. No meio de uma situação dessa, em que nos sentimos “rejeitados”, é meio difícil parar pra pensar no que realmente está acontecendo. Nem tudo a razão explica, e mesmo o amor-próprio não compra o “amor-alheio” de ninguém, né?

    Mas creio que para algumas pessoas seja útil pensar. Entenda, você superou esse raciocínio, isso é ótimo. Mas muitos nem ao menos pararam para se questionar. Não que se questionar vá resolver o problema, mas pode trazer uma nova luz à situação.

    Eu, sinceramente, oscilo muito. Com certeza eu mesma vou discordar do meu post e voltar a concordar muitas vezes ainda… hoje estou concordando com você e discordando de mim. rsrs

    Obrigada pela opinião, serviu como um chacoalhão.

    Beijo =*

  4. Olá,
    Bom, eu estava procurando algo sobre “Não te trate com prioridade quem te trata como opção” e me senti tão bem ao ler seu texto, me fez de certa forma abrir meus olhos e enxergar que a questão não é bem ser ou não prioridade, a questão é o q eu sinto, como eu ajo, e o q eu faço por mim, isso é mais importante.

    Obrigada pela ajuda!!

    Bjs

  5. Que linda! Obrigada Dani pelo feedback, saber que as experiências que compartilho ressoaram dentro de outras pessoas é inspirador e me faz ter mais vontade de compartilhar ainda.

    E desejo muito amor pra você. Amor-próprio. :)

    Beijos!

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